"Levo minha vida assim, não olho só pra quem quiser saber de mim, me movo para longe de quem não vê nada além de si..."
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Em nome da arte.
Gente. 120. milhões. de dólares. Foi essa a singela e módica quantia que um anônimo (pessoa física ou jurídica, não disseram) desembolsou para adquirir o quadro ‘O Grito’, do norueguês Edvard Munch. Quer dizer, um dos Gritos, porque existem outros três berrando em museus na Noruega. Esse pastel era o único que pertencia a um colecionador amigo do artista, que deve ter achado por bem passar a tela nos cobres e embolsar o dindim. Fez bem, creio eu. Mas gente. 120 milhões de dólares. Isso dá mais de duzentos milhões de dilmas. É um novo recorde no mercado de leilões de obras de arte. Claro que quem arrematou não está exatamente com o carnê atrasado nas Casas Bahia, mas vem cá, tem zero demais aí, tem não? Pensa bem, imagina a Mega da Virada. Pensou? Agora vende seu apartamento, seu carro, rapa a poupança, bota as joias no prego. Pronto? Pois é, junta tudo isso, mais vale-transporte e ticket-refeição e ainda não dá pra comprar o quadro. Mas ele é bonito, reconheço. Aliás, bonito não; bonito eu acho os jardins do Monet, as cores do Van Gogh, as geometrias do Klee. O Grito é muito interessante. Perturbador. Mas me lembra um pouco umas figurinhas que apareciam em pesadelos quando eu tinha febre alta (o que era frequente), então o preço ficou um pouco elevado demais pro meu gosto para um pesadelo. Acho que a figura no quadro está com as mãos na cabeça e a bocona aberta em total espanto porque tá pensando ‘cestãotudodoooido, 120 milhões de dólares!’. A Europa numa pindaíba de dar dó, a Grécia pensando que 120 quem sabe até dava pra começar a tirar o pé da lama, os espanhóis exportando desemprego e perdendo trabalho também na Argentina e na Bolívia, o Obama com aquele problemão todo que o Dábliubush deixou, aí vem um e compra um quadro assim, sem mais aquela, por 120. Melhor mesmo fazer cara de paisagem e fingir que nem sabe o que está acontecendo, porque se o pessoal da LBV descobre onde é que a grana tá sobrando, vai ligar todo santo dia pedindo doação. Enfim, junto com o valor inquestionável de uma obra dessas, tem também a questão do gosto de cada um, né. É um quadro bacana, uma tela única (quer dizer, ela e as outras três), mas sei lá, gente, são 120. milhões. de dólares. Se tem algum interessado em uma cópia fidedigna desta obra, eu tenho uma aqui em casa, pintada por mim mesma em meados da 6ª série do ensino fundamental (piadinha sem graça...hehehe).
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